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“Seis Conselhos para um Rio” no Auditório Municipal

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O teatro está de regresso ao Auditório Municipal de Cinfães! Na próxima sexta-feira, o Teatro Regional da Serra do Montemuro sobe ao palco, a partir das 21h, para estrear “Seis Conselhos para um Rio”. Uma peça que nos levará numa viagem pelo património imaterial de seis municípios da Rota do Românico: Cinfães, Amarante, Marco de Canaveses, Resende, Baião e Castelo de Paiva.

A entrada é gratuita e condicionada à lotação do espaço. Levante o seu bilhete no Auditório Municipal, na sexta-feira, entre as 14h00 e as 17h00 ou uma hora antes do espetáculo.

O projeto “Seis Conselhos para um Rio” enquadra-se na operação EEC PROVERE Turismo para Todos: Valorização, dinamização e promoção turística da região, cofinanciada pelo Norte 2020, Portugal 2020 e União Europeia, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).

“Seis Conselhos para um Rio”

Sinopse
“E mais a mais, cada um faz o que quer com as histórias que aprende.
A primeira coisa que se tem que fazer para contar uma história é ouvir. Depois decidir se se a reconta ou não. Se se decidir recontar pode-se pensar o que se vai mudar e o que se vai passar para o próximo ouvinte. Ou, então, deixar o mecanismo da memória seletiva escolher os factos que nos tocaram e merecem ser recontados e quais os que devemos atualizar ou personalizar.
E é à soma de todas essas histórias e das suas adaptações que se chama a memória coletiva. A tradição oral vai mantendo a sua importância inalterada porque se vai alterando com o tempo.
“Quem conta um conto acrescenta um ponto. Se você levar a história escrita fixa-a para sempre. Até parece que a história morre. As histórias querem-se livres, a mudar todos os dias. A crescerem e a adaptarem-se aos dias que passam.”
E as histórias nascem num lugar. Podem renascer noutro, mas já são novas histórias, apesar de serem iguais a outras. O Douro tem o seu próprio imaginário. Deverá haver centenas de penedos de cornudos espalhados pelo mundo, mas o penedo da serra da Aboboreira é especial porque soubemos trazer a sua lenda até aos dias de hoje. E se alguma coisa esta história prova é que há coisas que não mudam. Quem tem tempo livre inventa histórias. Transforma em narrativas as suas angústias. Serei cornudo ou não serei? Vou perguntar à pedra.
“Eu vou-lhe explicar como a coisa funciona. Você vai lá e atira uma pedra para cima do penedo, se ela ficar lá em cima equilibrada é porque a sua mulher sempre lhe foi fiel. Se a pedra cair ao chão, prontos, tem um par de cornos, mas prontos são os cornos pequeninos que sua mulher só o traiu uma vez. Deve ter sido por curiosidade. E nesse caso você só tem uma solução, pega na pedra e atira outra vez. Se ficar em cima é porque foi mesmo por curiosidade, se voltar a cair foi porque a primeira traição correu bem e ela quis mais. E é assim enquanto a pedra cair você vai contando as vezes que ela o traiu. Só para quando a pedra ficar lá em cima ou então quando se cansar. Percebeu? Mas também lhe digo uma coisa: no penedo de Travanca há mais pedrinhas no chão, que as que ele carrega nas costas.”